domingo, 18 de dezembro de 2011

1# Só eu sei como adorei ver o desepero brilhar nos seus olhos.

Entrei no refeitório e espretei, óptimo não há fila, tal e qual eu gosto. Avançei em direcção aos tabuleiros. Pão, talheres, maçã, sopa, salmão com arroz e salada de tomate. Para finalizar, um corrida entre os copos de agua e sumo para ver qual deles enche primeiro. Não entendo porque é que o sumo ganha sempre, máquina deve estar viciada. Sento-me na mesa e começo pela sopa. Hoje tenho companhia ao almoço, dois rapazes e uma rapariga, eu vejo-os todos praticamente todos os dias aqui no refeitório, mas raramente falamos, o nosso elo de ligação é o " Boa tarde, com licença, bom almoço".
Perdida em pensamentos, vou comendo os últimos pedaços de peixe, quando do nada ele apareçe. Estava a usar aquele casaco vermelho, sem sombra de dúvia que era ele. Olha para mim, diz " Ola" e dirige-se para a fila do almoço. OS meus olhos começam a esbugalhar-se, nao fazia sentido ele estar aqui.. porquê ? Hoje vim intençionalmente cedo para poder chegar cedo ás aulas e escolher o lugar dos fundos na sala, e assim poder copiar durante o teste. Não havia como nos encontrar-mos, daí eu estar mentalmente preparada para não o ver. Mas ele apareçeu.
Senta-se á minha frente na mesa e trocamos algumas palavras, mas ele sabe, que eu sei, que ele sabe, que não tarda eu iria terminar de almoçar. O salmão nada agora em outras águas, nos rios do meu estômago. Levanto-me então com o tabuleiro na mão, e os nossos olhares cruzam-se, consegui ler ansiedade nos seus olhos castanhos. Os lábios carnudos movimentavam-se, prestes aa dizer algo, mas eu virei-lhe as cotas e fui pousar o tabuleiro no carrinho. Regressei à mesa para pegar a minha mochila.Desta vez ele foi mais rápido a falar, desta vez consegui ver mais do que uma simples ansiedade naquela castanho inquieto, vi desespero. Desespero por mim, pela minha presença, pela minha companhia... (Ou então não queria almoçar sozinho)
Só eu sei como adorei ver o desepero brilhar nos seus olhos.
Ele disse. - Vais pelo mesmo caminho de sempre certo? Espera por mim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Talvez, quem sabe, e então.. bem adeus.


E então, finalmente nos encontramos
o último presumo.
A distânçia não se deve ao tempo, nem ao espaço,
mas ao coicidir de passos.

E então, tu viste-me, e eu vi-te a ti
O que presenciei foram vultos da memória que algum dia tivera.
O que tu viste em mim, foi uma armadura de ferro, sem espada ou armas
Sorrindo, por de trás do capacete, um riso receoso.

E então falamos, e então " rimo-nos"
Talvez tenhas sido tu, a única a tal
Pois a forma moldada nos meus lábios, não era o RIR por definição.
E então falamos, e então "rimo-nos"
Desprende-se o penso de (uma das) feridas esqueçidas
Quanta leveza, simpatia e serenidade no teu tom,
Quem sabe a única a debater-se em tristeza, tenha sido eu
Quem sabe, não terias tu, já a armadura posta.

E então fez-se tarde, e então despedimo-nos.
Foi pedido, " Vai dando notíçias"
E foi retribuido um " sorriso".
Talvez, quem sabe, e então.. bem adeus.

Raios partam 18 anos!

O resto da minha vida será um verão eterno,
senão me for dada a oportunidade,
senão encontrar a porta do Outono.

Não quero passar tardes de sol na praia
com os pés enterrados na areia,
pois ela pode tornar-se movediça.

Não quero passar tardes de sol na praia
a nadar e fluturar no mar,
porque posso me afogar.

" Ah, se eu soubesse..."
O tempo que perdi a observar o céu, dando forma e nomes às nuvens
Teria esculpido o amanhã.

" Ah, se eu pudesse voltar atrás no tempo..."
Sinto constatemente a brisa do mar, vou fechar as janela
e esperar que alguem me abra a porta.

Ah... - suspiro.
Raios partam 18 anos!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Camadas


Olho para ti e só vejo camadas

O chamado estilo.

Mistura de panos, tecidos padrão sobre padrão

Uma cortina de teatro, que tudo esconde que nada mostra

Oh, a grande e exuberante cortina de teatro

que grandes especulações traz aos corações dos arredores

Mas e quando o espectáculo acabar?

E quando vagarosamente as cortinas arrastadas se encontrarem no centro palco

O que restará ? Apenas lugares vazios ?

O Eco do silênçio ?


Olho para ti e só vejo um rosto..

Lábios dos ditos convençionais

Olhos que espelham o incerto, o equívoco

Porque afinal .. Quem és tu ?

Tela em branco


A resposta é não ... já não me conheçes
O meu "eu" de hoje e o teu desencontraram-se
Desencontro esse de à muito.
Desmanchar de laço consciente,
Sobre o nosso olhar, sobre o nosso controlo

Mudas-te...
Não és, nem voltarás a ser a mesma
Não a das minhas memórias.

Agora vejo-te como és,
As tuas verdadeiras cores
Que mistura... Que confusão!
Há branco a mais e preto a menos...
Assim é impossivel pintar-te
É impossivel traçar a tua forma

Considero-me substituta... substituta do teu ideal
Acompanho o vento e ja não faço falta

Marquei um ponto na tela, e do ponto não sai-o
Bem, esta artista vai voltar para casa,
Neste banco muito tempo foi perdido
À espera de inspiração, motivação ou razão para pintar.

Tranco agora a porta do ateliê
Que fique a tela em branco!
E a resposta é não ... eu tão pouco te conheço.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Não me faças pensar, que nao durmo

Outrora ponto de equilíbrio,
Hoje és um ponto
Não equilibras, nem desiquilíbras.
Apenas desorientas.
E isso faz me pensar,
E quando penso, não durmo.


Um dia, alguem disse:
" O excesso de racionalização, retira a emoção do momento",
Por isso nao quero pensar.


Não quero ficar presa numa teia de pensamentos,
Que levam a uma conclusão ja receada.
Sei que quando acordar, não estou liberta,
Pois uma conclusão receada, origina outras conclusões evitadas.
Por isso não me faças pensar, que não durmo .

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Tentar menos


Eu questiono-me o porquê de valorizarmos os outros, o porquê da nossa devotação, se no final já sabemos que nos vamos magoar. Não faz sentido .

Eu entreguei o meu coração e ainda me doí, isto levam-me a pensar se não serão todos uns bastardos iguais. O A, B, C, D, E e F já me magoaram e mesmo assim eu perdoei, fui atrás, compreendi, no entanto sei que eles o voltaram a fazer. Não há dia, nem hora marcada, mas vai acontecer. Será masadoquismo espiritual? Quem sabe, um complexo qualquer de bondade? Ou talvez a resposta resida numa palavra só: solidão. A recusa do sentimento de abandono, o não querer estar só... e o preço a pagar é sofrer.

Talvez eu devesse tentar menos, e ver o que acontece... Se não acontecer, simplesmente viverei com a consequência da minha escolha.