quarta-feira, 13 de abril de 2011

Camadas


Olho para ti e só vejo camadas

O chamado estilo.

Mistura de panos, tecidos padrão sobre padrão

Uma cortina de teatro, que tudo esconde que nada mostra

Oh, a grande e exuberante cortina de teatro

que grandes especulações traz aos corações dos arredores

Mas e quando o espectáculo acabar?

E quando vagarosamente as cortinas arrastadas se encontrarem no centro palco

O que restará ? Apenas lugares vazios ?

O Eco do silênçio ?


Olho para ti e só vejo um rosto..

Lábios dos ditos convençionais

Olhos que espelham o incerto, o equívoco

Porque afinal .. Quem és tu ?

Tela em branco


A resposta é não ... já não me conheçes
O meu "eu" de hoje e o teu desencontraram-se
Desencontro esse de à muito.
Desmanchar de laço consciente,
Sobre o nosso olhar, sobre o nosso controlo

Mudas-te...
Não és, nem voltarás a ser a mesma
Não a das minhas memórias.

Agora vejo-te como és,
As tuas verdadeiras cores
Que mistura... Que confusão!
Há branco a mais e preto a menos...
Assim é impossivel pintar-te
É impossivel traçar a tua forma

Considero-me substituta... substituta do teu ideal
Acompanho o vento e ja não faço falta

Marquei um ponto na tela, e do ponto não sai-o
Bem, esta artista vai voltar para casa,
Neste banco muito tempo foi perdido
À espera de inspiração, motivação ou razão para pintar.

Tranco agora a porta do ateliê
Que fique a tela em branco!
E a resposta é não ... eu tão pouco te conheço.