domingo, 26 de dezembro de 2010

Little Stacy no Natal (2) ~ Árvore de Natal


Este ano a árvore de natal até parece mais bonita, com as suas luzes que brilham e piscam. Ora vermelho, azul, amarelo e verde, ora vermelho e amarelo num aparece e desaparece instável. Com os seus poucos efeitos: uma bolinha aqui, um anjinho acolá e no topo do galho mais alto, resplandece o espírito da estrela cadente de Belém. Mas apenas o espírito e nada mais.

AH!... Certo... A Littler Stacy Já se lembra o porquê, de a árvore parecer este ano mais bonita. É que no ano passado não houve árvore de natal. Bem,pensa ela, Acho que este ano a mamã deve ter rezado com mais fé e que Deus ouviu acidentalmente nos seus aconchegos.
Lá, acima do azul, acima das nuvens, das estrelas e do universo. Lá, no seu branco finitamente infinito que cega. Ele ouviu.
Ás vezes, pára e observa a árvore, o pisca-pisca e recusa-se a sorrir, recusa-se deixar levar pelo seu encanto.No entanto, o aparece e desaparece instável da árvore de natal, ilumina e colori a sua alma desgasta e não crente no natal.
Por isso, de alguma forma, de algum modo, Little Stacy sente-se grata.

Little Stacy no Natal (1) ~ Matei o Espírito Natalíçio



O espírito natalício quase que entra pela porta a dentro. Batuca na porta do coração de Little Stacy, pedindo por abrigo, salvação e ela quase que o deixo entrar, mas quando presente, quando se apercebe, que em si já meio sorriso se desenhou... Ela pára de sorrir. Afasta as mãos ingénuas da maçaneta tentadora, sobe os degraus aos saltos e do topo da torre, mira o espírito natalício. Luminoso, festivo e em tons de verde e vermelho . Deixa cair então , o balde... Cai o balde e molha o espírito natalício. Deixa de brilhar, já não mais ilumina, agora em tons de vermelho e verde apagado e se não esta vivo, não é festivo.

Little Stacy acha que acabou de matar o espírito natalício. Pensa consigo mesma, Devo ser uma assassina natalícia... Não faz mal. Nessa noite gelada, debruçada sobre o parapeito da janela da torre mais alta, observa a estrela cadente que brilha e dança ao luar. A sua luminosidade ofusca-a com a esperança do amanhã.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sala escura.

Aqui estou, na sala escura, a traçar linhas sobre o quadro de luz. Linhas com princípio, meio e sem fim. Linhas inacabadas. Traço com raiva, traço com tristeza e traço com injustiça. Esta raiva que arde dentro de mim, esta raiva que não se apaga, esta raiva que me consome. Não consigo controlar... não consigo controlar este fumo, esta fogueira.

(Respira.)

(Respira.)

Inspirar, expirar. A minha respiração esta cada vez mais intensa.

( Não me consigo controlar.)

Não! Não! Recuso-me a inalar o oxigénio, recuso-me a expulsar o dióxido de carbono. NÃO!
Eu só quero que o tempo pare e impeça, só quero que os átomos, pontos e partículas parem. Que a rotação da terra pare e que impeça.
Eu não sou fraca. Eu sou melhor que o sol, melhor que o vento, melhor que o oceano. Sou melhor que isto!
Eu não vou desistir, vou resistir! Lágrima estás proibida de cair, proibida de deslizar sobre a minha face e marcar o fracasso... eu sou melhor que isto...

(Queda de lágrima.)

(Silêncio... Inibição do choro.)

Não faz mal... Eu sou melhor isto. Eu tenho a razão, fui injustiçada. Espera, aguarda. A vingança serve-se fria.

(Deslizar da língua nos lábios.)

E vai ser doce.

(Abandono da sala escura.)