Aqui estou, na sala escura, a traçar linhas sobre o quadro de luz. Linhas com princípio, meio e sem fim. Linhas inacabadas. Traço com raiva, traço com tristeza e traço com injustiça. Esta raiva que arde dentro de mim, esta raiva que não se apaga, esta raiva que me consome. Não consigo controlar... não consigo controlar este fumo, esta fogueira.
(Respira.)
(Respira.)
Inspirar, expirar. A minha respiração esta cada vez mais intensa.
( Não me consigo controlar.)
Não! Não! Recuso-me a inalar o oxigénio, recuso-me a expulsar o dióxido de carbono. NÃO!
Eu só quero que o tempo pare e impeça, só quero que os átomos, pontos e partículas parem. Que a rotação da terra pare e que impeça.
Eu não sou fraca. Eu sou melhor que o sol, melhor que o vento, melhor que o oceano. Sou melhor que isto!
Eu não vou desistir, vou resistir! Lágrima estás proibida de cair, proibida de deslizar sobre a minha face e marcar o fracasso... eu sou melhor que isto...
(Queda de lágrima.) 

(Silêncio... Inibição do choro.)
Não faz mal... Eu sou melhor isto. Eu tenho a razão, fui injustiçada. Espera, aguarda. A vingança serve-se fria.
(Deslizar da língua nos lábios.)
E vai ser doce.
(Abandono da sala escura.)
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