terça-feira, 31 de janeiro de 2012

2# Vê-lo quase engasgar-se quase compensou a demora

Aqui estou eu na casa de banho, em frente ao espelho focada na minha cara à procura de borbulhas para exterminar, mas felizmente desapareceram todas ontem, excellent timing. Sentei-me à mesa e esperei por ele como me pediu, mas a mesa já não era apenas nossa, havia outras cadeiras ocupadas, maior parte pessoas conhecidas dele, raios o partam por ser tão sociável. Desenrolam-se conversas de circunstânçia, longas conversas, conversas de quem não têm alguém á sua espera do outro lado da mesa, de quem tem o tempo do mundo. Lancei-lhe olhares de impaciência, de morte, eu não tinha o tempo do mundo. E quando o limite de paciência estoirou, fiz-lhe um ultimato , " Tens 1 minuto " e acho que ele o levou a sério ou que pelo menos tentou embora não tenha cumprido o objectivo, vê-lo quase engasgar-se compensou a demora. Já estávamos levantados, preparados para sair, quando entra pela porta um rapariga, outra conhecida dele e inevitavelmente desenrola-se outra conversa de circunstânçia e é por essa mesma razão que eu estou agora na casa de banho à procura de borbulhas que não tenho para fazer desaparecer. A conversa foi para além de um " Olá, tudo bem?", e talvez ele já se tivesse esquecido, mas eu tinha uma aula para onde ir, um teste para copiar, por isso vagarosamente afastei-me, não sei se ele notou ou não. Saio da casa de banho e volto para o refeitório, mas só la ficou a conhecida, não há sinal de nenhum casaco vermelho, de nenhum idiota que quase se engasgou a comer. Não acredito que me tenha feito esperar, e que não espere por mim, simplesmente inacreditável... Espero, agora, neste momento de incompreensão e fúria que ele comece a coxiar pelas ruas e que chegue atrasado às aulas, porque segundo me disse, a professora de hoje é daquelas que nao admite atrasos. Idiota.
O telefone toca, é ele. Semicerro os olhos indignada e depois atendo. A minha primeira intenção é mesmo ofênde-lo e depois reclamar, mas ele adianta-se a mim, não me insulta, mas reclama num tom aborrecido, a sua respiração estava diferente do normal, acelarada, como a de alguém que está a correr. Agora tenho apenas três pensamentos em mente : afinal ele notou que eu me afastei; refaço o meu desejo para que ele volte a andar normalmente outra vez e descobri algo sobre ele. Correria por mim..
Fui ao seu encontro, ele disse que nos encontraríamos pelo caminho. Chego e vejo-o sentado num banco, ainda consigo ouvir a respiração alterada, que tenta disfarçar. Pergunto-me quão longe terá ele ido á minha procura e quão longe terá ele voltado para me reencontrar. Idiota. Ele questiona se eu sei a definição de esperar, e eu questiono-lhe de volta se ele sabe o que significa não chegar atrasada ás aulas para poder copiar no fundo da sala. Nenhum de nós responde às perguntas feitas, apenas olhamos um para o outro, ele com cara de parvo e eu com uma expressão sarcástica. Começamos a caminhar então, eu à frente e ele atrás, sem trocar uma palavra, mas ele não aguentou, quebrou o gelo. Contou uma de entre as milhares piadas que deve ter preparado para " akward moments", comentou o tempo, gozou com a professora com quem ia ter aulas e claro gozou comigo. Já estávamos "normais" um com o outro, o sucedido do refeitório, tinha ficado no refeitório, de facto. No entanto, a nossa caminha juntos estava prestes a chegar ao fim, um pouco mais à frente, eu teria de virar à esquerda e ele a direita. E nós chegamos a essa encruzilhada. - Vem por aqui, faz me companhia, e depois segues pelos portões do fundo - ele pede. E eu aceito, com a condição de ser escoltada até à saída. À medida que nos aproximávamos da sala onde ele iria ter aulas, a conversa ia ficando meio, estranha, tudo o que eu dizia, ele arrastava, arrastava a conversa, o assunto, a própria resposta. E isso piorou quando avistamos o portão dos fundos, porque eu tive de abrandar os passos para que ele pudesse terminar de falar, e foi aí que percebi. Haviam apenas duas opções : ou ele era péssimo a criar a conversas ou estava a prepositar aquela demora, para poder ter a minha presença. Eu queria esfregar-lhe isso na cara, gozar com ele por não saber manter uma conversa, porque embora ele não o admita, existe uma personagem nele, tendências de "player" que eu detesto. E porque não, ferir-lhe o orgulho? Mas já estávamos muito perto do portão, oportunidades , não hão de faltar. Disse-lhe adeus, ele pareceu-me hesitante, como se quisesse dizer algo mais, mas se calhar foi impressão minha, porque disse-me um adeus de volta. Atravessei o portão e virei á esquerda, mas não pude avançar muito mais que uns meros passos, porque algo impedia-me de continuar, algo como um idiota de casaco vermelho que me segurava a mão. - Estavas com ciumes daquela rapariga, foi por isso que desapareces-te? - fitava-me os olhos preserverante. - Não - respondo semicerrando os olhos. - Tens a certeza? . - Sim, eu não tenho motivos para isso. - Então para a próxima vou ter de te dar motivos para isso. - Boa sorte, give me your best shot, lover boy. Ele faz a pose de um même face e diz - Challenge accpeted. Desaparece depois por detrás do portão.

É um facto que tenho algum prazer em insultar as pessoas, mas no caso dele tenho razão, é idiota. Ainda sinto a mão dele na minha... okeeeeey... estou a ter arrepios... FOCUS, a mão dele estava fria, é normal. E mesmo que tivesse ciúmes, não é como se fosse admitir.

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